o poema avoluma.doc
teatro de essência / poema processo
à Therezinha Pinheiro de Carvalho, viajante náufraga vidente,
que me fez vivo e concreto o teatro e trouxe-me pela mão
Wlademir Dias-Pino,
estirando meus músculos para dentro do poema.

"Quero fazer uma arte móvel, mas principalmente, para o músculo do homem. Uma arte que tenha rigor. Mas de uma geometria do acrobático. O desencadeamento do lúdico, mas obedecendo uma ordem biológica. Uma expressão corporal, mas sem representação. Assim é que ao correr dentro do labirinto branco, o homem se sacode interiormente (já independente da “obra de arte”), com os músculos em sintonia com a respiração. Uma arte olfativa, mas, principalmente, respiratória. (...) É um outro nível de leitura, um outro ato de virar das páginas”.
Wlademir Dias-Pino

carta à Wlademir
24 de abril. 1999.
corre um fio porque minha coluna descobre que não sei simplesmente falar. E isto é o melhor de todas as coisas já ditas.
Tentei refazer o argumento e só encontro o signo vazio do círculo, cerebralizando a fala por todo o corpo. A voz passa ser percussão, corda e caixa se quebrando uma na outra. o que meus olhos descobrem é tudo o que eu já havia visto, quando não sabia que via, respirava, existia. Era mesmo e só a coisa vista - sendo ela o espaço inteiro por onde residia.
Tenho nas mãos Teoria da Poesia Concreta dos três A, H e D. Ainda parada na página 09 fico lendo o Décio dizendo: “ Todo o poema autêntico é uma aventura - uma aventura planificada”, enquanto penso o tempo inteiro no volume do poema em forma orgânica desorganizada. Tudo isto sendo só um processo se dando nos círculos do ato. Achei teu nome citado, mas preciso encontra-lo mais extenso, exposto, lido em linhas seguidas de sintaxes propositais. Verás, pelo programa de uma das disciplinas que estou cursando - o texto sonoro - que entramos no universo do poema vocal pelas mãos da poesia concreta; a porta para abrir os ouvidos a John Cage - música aleatória ou indeterminada.
VERBIVOCOVISUAL, diz meu professor, é poesia do século XX. Então pensei, poema/processo é também teatro de essência, estão um dentro do outro na origem do Livro Contemporâneo - coisa de XXI !

Marina Moros se scaneia. Pé, dorso, braço, mão, rosto...ela vem em pedaços compondo o texto dessa dissertação, via e-mail, aleatoriamente, durante o processo da escrita. Leitura verbivisual.
Ela surge como a presença indeterminada do puro interlocutor vidente.


corpoema da cor vermelha vídeo/ato/processo

fotografia marina moros
1)A AVE VOA RETO CO 2) MO UM 3) CORTE 4) A ALTURA 5) DE 6) SEU GOSTO
“a curva amarGa SEU Vôo e fecha UM TempO com Sua fOrma.” – “O GESTO”
[fragmento do slogan do livro-poema A AVE (1956) de Wlademir Dias-Pino]